quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Negação à redenção

"Há qualquer coisa de profundo
No desfio dos olhos em que me busco
Como um lapso de amor mútuo
No ódio ou num medo súbito
Que não mais me contenta esperar
Por clareza num obscuro olhar
E me pego em apelos levemente sórdidos
Entre dentes que serram lábios mórbidos
Propondo com sussurros cantados
Suspiros em intervalos prolongados
Entre as expectativas, o desejo e a dor
Uma entrega inconsciente ao amor."

sábado, 2 de outubro de 2010

Diário de Uma Noite Vazia

O mundo dorme!
Talvez muitos estejam acordados
Com seus sentidos dormentes

Enquanto o mundo dorme
Vou me remoendo
Com questões que não me tiram do quarto
Eu vago no vazio que há em mim
E um medo me toma
Não medo de algo que me possa acontecer
É um temor que sussurra
Que a solidão noturna
Pode revelar em mim
Coisas que não acredito me pertencerem

Estou só!
Saio em busca de algo a me completar
Só resta a superficialidade
O mundo está oco
Pessoas vazias procuram como zumbis
Algo a satisfazê-las
Sigo a tendência...

Em vão meus dedos tocam
O contorno de alguma boca
Que sem paixão me toma
Eu me entrego:
Agora um iceberg de sentimentos

Corpo e alma desunidos
Em uma distorção de ações
E contradições de opiniões
O corpo sede
Mas a alma logo reclama
A morte do meu ser

Com o ato concluso
Retorno ao meu quarto
As paredes cobram
A explosão que fui buscar

No vazio do meu berço
Enquanto o mundo acorda
Abraço o travesseiro
E sou ninada pela solidão

Inquietude

Se meus instintos pudessem falar
Gritariam, agora com dor,
Sobre a inquietude que há em mim

Um sentimento desconfortável se alastra
E a dor que me toma
Me faz querer gritar
Mas o temor leva-me a calar

Busco soluções
No abrigo dos teus braços
Espero uma palavra...

Outra vez o silêncio domina

A minha figura
Receia a tua refutação
E no pavor de ouvir-te a me negar
Discuto um discurso
Que te possa intervir

Enquanto canto teu enquanto
Que insiste em me dominar.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pingos d'amor

Quando cai a chuva na cidade vazia
Revelando temores de desamores e perdas
Meus olhos procuram os teus.

Não te encontro!

Busco-te então dentro de mim
Onde o vejo todo e em tudo...

E a chuva acalma!

Se me perco

Se me perco em outros braços
outros lábios, outros acalentos

Se me perco na inércia
da tua procura desalmada

Se me perco sem censuras
na loucura da apropriação

E me perco do deleite
De uma nova ambição

Tu convives ou revives
Com a própria convicção?

Tormento


Tenho demorado para dormir
Algumas boas lembranças de momentos passados têm me atordoado
Remexo na cama num ritmo intenso
Que é quase uma dança
E recordo das músicas, das doces canções
Das amizades antigas, hoje tão distantes
Há uma mistura de felicidade por tê-las vivido intensamente
E uma melancolia por não vivê-las mais.
A saudade domina as lembranças
Das longas noites no bar
Do banho de chuva e desenhos nas nuvens
Do belo eclipse lunar...
Lembro também das muitas vezes que vi o sol nascer
E isso me enche de luz:
Como eu soube apreciar a simplicidade
E levei bons amigos comigo
E vivi um amor de domingo
Com quem vi o sol nascer e se pôr
O móbile do bebê na cama ao lado
Subitamente, liga-se sozinho
Na madrugada escura do quarto
O som faz do brinquedo parece de terror
Mas há algo de leve na trilha
Que me faz perceber o inevítavel
Não é apenas saudades dos que passaram
Mas ausência de um grande amor