terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pingos d'amor

Quando cai a chuva na cidade vazia
Revelando temores de desamores e perdas
Meus olhos procuram os teus.

Não te encontro!

Busco-te então dentro de mim
Onde o vejo todo e em tudo...

E a chuva acalma!

Se me perco

Se me perco em outros braços
outros lábios, outros acalentos

Se me perco na inércia
da tua procura desalmada

Se me perco sem censuras
na loucura da apropriação

E me perco do deleite
De uma nova ambição

Tu convives ou revives
Com a própria convicção?

Tormento


Tenho demorado para dormir
Algumas boas lembranças de momentos passados têm me atordoado
Remexo na cama num ritmo intenso
Que é quase uma dança
E recordo das músicas, das doces canções
Das amizades antigas, hoje tão distantes
Há uma mistura de felicidade por tê-las vivido intensamente
E uma melancolia por não vivê-las mais.
A saudade domina as lembranças
Das longas noites no bar
Do banho de chuva e desenhos nas nuvens
Do belo eclipse lunar...
Lembro também das muitas vezes que vi o sol nascer
E isso me enche de luz:
Como eu soube apreciar a simplicidade
E levei bons amigos comigo
E vivi um amor de domingo
Com quem vi o sol nascer e se pôr
O móbile do bebê na cama ao lado
Subitamente, liga-se sozinho
Na madrugada escura do quarto
O som faz do brinquedo parece de terror
Mas há algo de leve na trilha
Que me faz perceber o inevítavel
Não é apenas saudades dos que passaram
Mas ausência de um grande amor